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Adolescentes geram 39 mil bebês por ano

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Adolescentes geram 39 mil bebês por ano


O número é de 2001, do banco de dados mais completo da Secretaria de Saúde de Pernambuco. No Recife, por ano, cinco mil crianças nascem de garotas com idade entre 10 e 19 anos. Quem tem filho cedo reclama das desvantagens.

Por ano, no Recife, pelo menos 200 crianças nascem de mães muito jovens, meninas com no máximo 14 anos de idade. Outras cinco mil são geradas por garotas de 15 a 19 anos. Em Pernambuco todo, o número de bebês nascidos de adolescentes chega a 39 mil. Embora seja direito de toda mulher escolher quando e com quem quer ter filhos, muitas dessas meninas nem sempre queriam ficar grávidas. Mesmo quando desejavam, passam a entender, depois do nascimento do bebê, que a gravidez precoce muitas vezes é acompanhada de desvantagens, principalmente quando a renda de casa é pequena.

"Nem tão cedo quero ter outro filho. Só daqui a 20 anos", diz, com convicção, a estudante L., 14 anos, que acaba de ter um bebê prematuro. Há cerca de um ano ela brigou com o pai e saiu de casa para morar com o namorado de 16 anos, que trabalha numa oficina mecânica e ganhou uma casa da família. A jovem mãe, que engravidou querendo, agora pensa diferente, depois das dificuldades que teve no parto.

Célia Fabíola Castro, 16 anos, também acaba de ser mãe. O filho Adrian Felipe nasceu aos oito meses de gestação e ela não esconde a ansiedade para levá-lo da maternidade para casa. Mas não planejou a gravidez. "Fazia planos de noivar aos 18, entrar para a faculdade, casar bem depois e só ter filhos com mais de 20 anos. Acho que sou nova demais para ser mãe", diz. Agora, que a ordem das coisas se inverteu, quer, pelo menos, que a próxima gravidez saia dentro de suas metas. O namorado Carlos Alberto Alves, de 19 anos, pretende casar assim que conseguir um emprego. A avó de Célia, Alaíde Silva, 55, jamais pensou que a neta repetisse a precocidade das outras gerações. A agora bisavó engravidou pela primeira vez aos 12 e, sua filha Flávia teve Célia aos 16.

Renata Poliana da Silva, 18, só engravidou depois que casou no papel. Mas hoje acha que nem assim compensa ter filho cedo. "Digo às meninas que usem camisinha e tomem remédio para não engravidar." Ela teve a primeira filha aos 16 anos, parou de estudar, depois separou do marido e acaba de ter a segunda neném, fruto de uma rápida relação. "Fiquei com um rapaz e engravidei."

Para evitar a gravidez indesejada e a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis entre adolescentes, os Ministérios da Saúde e da Educação vão distribuir camisinhas, em escolas públicas do País. Além do avanço da Aids entre jovens de 13 a 19 anos, o Brasil registra número elevado de gravidez de meninas de 10 a 19. O Sistema Único de Saúde, que atende a população pobre e a classe média baixa realizou no País, de 1999 até abril último, 210.946 partos em adolescentes e 219.834 abortos na mesma faixa etária.

Além de dar aos jovens mais informação e meios de evitar gravidez indesejada, o Governo tem outro desafio pela frente. Cerca de 23% das gestantes adolescentes atendidas no Hospital Barão de Lucena, no Recife, no último mês de junho, tiveram filhos prematuros, em gestações de alto risco. "Em algumas, a fibra uterina parece ser mais reativa, obrigando o nascimento do bebê antes das 37 semanas de gestação", explica a chefe da Obstetrícia do Barão de Lucena, Cristina Rocha. Segundo ela, quem engravida muito cedo tem chances de desenvolver gestação de alto risco e precisa de uma assistência especial desde o pré-natal.

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